Vestfália

Vestfália é uma região histórica alemã, conhecida por ter sediado a famosa Paz de Vestfália - mais precisamente os tratados de Münster e Osnabrück . Esses acordos puseram um fim a calamitosa guerra dos trinta anos, que incluiu todos os grandes Estados da Europa Central de 1618 a 1648.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

O achatamento de perspectiva europeu

Ao fazer-se uma contraposição dos textos de Arno Mayer (A força da tradição, a permanência do antigo regime- 1848-1914) e G. Barraclough (Do equilíbrio europeu à era da política mundial), observa-se que ,por caminhos diferentes, ambos tentam explicar o eclipse do sistema europeu de poder. Mayer busca uma linha mais sociológica, explicando como um pensamento restritamente acien régime impediu que os países europeus se desligassem da via européia de status quo, ignorando a transição política pela qual passava o mundo e a própria transição sócio-cultural que se passava na Europa. Já Barraclough apresenta uma argumentação de base empírica, focando em eventos das relações internacionais para relacionar o ocaso do equilíbrio europeu à ascensão da era da política mundial.

Dentre os pressupostos de Mayer, está o de que a Guerra de 1914 é a “remobilização contemporânea dos anciens régimes da Europa”. “A velha ordem entrincheirada” apegada aos seus valores materiais e à sua influência política produz uma guerra em prol de um equilíbrio, como diz Barraclough, essencialmente anacrônico. A ordem burguesa, que para Mayer não existia, estava demasiadamente envolvida num romantismo aristocrático que freava o desenvolvimento de um pensar burguês dinâmico.

Finalmente, Barraclough coaduna com Mayer quando observa que, mesmo na era do neocolonialismo na África e na Ásia, a Europa não deixara de pensar o plano global em função do equilíbrio estritamente europeu. Ao ir de encontro aos interesses de potências continentais como EUA e Rússia no extremo oriente, a Europa e seu sistema político gradativamente sucumbiram a um sistema de política mundial, ou seja, a Ásia não seria manipulada ao bel-prazer dos europeus – como acontecera na África -, os choques de interesse no oriente prestaram um papel de divisor de águas, o primeiro vislumbre de uma era global. E os europeus, nesse contexto, deixaram claro que não conseguiam colocar no devido patamar de importância os palcos europeu e mundial. A “necessidade” (ou não) de se manter atuante nas diversas esferas de ação, em outras palavras, a ausência de foco dos países europeus é, para Barraclough, a principal razão pela qual o mundo conheceu outras potências a partir de então.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

Perguntas sobre Revolução Industrial e Imperialismo

1. A 1a. Revolução Industrial acarretou na consolidação da influência inglesa no cenário internacional. Os Atos de Navegação (medidas protecionistas inglesas) visavam o fortalecimento da indústria inglesa, em sua maioria, têxtil. Indústria essa que obtinha matéria-prima das colônias sulistas da América do Norte e, posteriormente, da Índia. Outros materiais utilizados, como o ferro e o cobre, podiam ser encontrados no próprio território inglês. A 2a. Revolução Industrial implicou na busca por materiais como o estanho, o petróleo e a borracha em outros territórios. Também favoreceu o desenvolvimento do Imperialismo e, com os EUA também realizando a revolução, representou o fim do exclusivo europeu como centro de toda política internacional. A 1a. Revolução Industrial representou a etapa industrial do capitalismo, enquanto a fase da 2a. Revolução Industrial foi chamada de capitalismo financeiro.

2. Imperialismo foi o nome dado à prática dos países desenvolvidos (realizando a 2a. Revolução Industrial) de exercer profunda influência e até mesmo ocupações em territórios, em sua maioria, africano e asiático. A visão leninista do Imperialismo entende que o Imperialismo seria uma etapa do capitalismo e, por essa razão, a origem do Imperialismo era exclusivamente econômica. Este, então, representava apenas uma fase do capitalismo, enquanto fruto do desenvolvimento dos meios produtivos. Hobsbawn, por sua vez, defende a idéia de que o Imperialismo seria resultado de ummisto de acontecimentos e mudançãs em diversos setores da sociedade e por isso teria causas não só econômicas, mas também políticas, sociais, estratégicas, etc, intimamente ligadas umas às outras. Para ele, na etapa em que o capitalismo se encontrava, economia e política não poderiam mais ser separados e, por isso, ao contrário de Lênin, tal acontecimento não seria somente de ordem econômica.

Com a 2a. Revolução Industrial observamos modificações profundas no Sistema Internacional e o Imperialismo, fruto dessa revolução, é o principal agente de tais mudanças. Com diversos países europeus e os EUA realizando a 2a. Revolução Industrial, seus objetivos voltaram-se para as áreas até então sob leve influência ou sob influência de Estados já decadentes, como Espanha e Portugal. Em busca de novas matérias-primas e de novos mercados, e com o desenvolvimento dos meios de transportes e comunicações, o Imperialismo e a nova etapa do capitalismo que se inicia, cria uma expansão, e conseqüente globalização, da economia. Com o tempo, possuir tais territórios começa a ser sinônimo de status, e tal fato trará rivalidades e acirrará antigas, com profundas implicações num futuro próximo.

Terça-feira, Junho 14, 2005

Ênfase no processo x ênfase na consolidação

Arno Mayer em sua argumentação traz à tona a discussão de quando de fato a Europa conheceu a modernidade - burguesa e industrial - para além da esfera econômica, englobando todas as esferas sociais. Ele afirma que os historiadores tenderam a subestimar o valor dos elementos “pré-modernos” dessa sociedade transicional, negligenciando o poder de resistência do ancien régime e a permanência de um espírito aristocrático que, até muito depois da Revolução Francesa, foi capaz de refrear o dinamismo da sociedade burguesa e de retardar a sua conscientização identitária. Fazendo assim, Mayer acende os holofotes para uma idéia weberiana por excelência de ethos; em outras palavras, apresenta a força da cultura ancien régime como um elemento atarracador de uma derrocada definitiva da feudalidade no sistema político europeu, fato este que se dá definitivamente após a guerra dos 30 anos do séc. XX, as duas grandes guerras.

Para compor a sua tese, Mayer pede um refinamento das noções de acien régime e feudalidade, afirmando que, ao contrário do que se pensa, a velha ordem européia dispunha de uma elasticidade excepcional. No primeiro momento, quando se dá a consolidação do Estado territorial, a nobreza consegue infiltrar-se no aparato estatal, assumindo setores burocráticos e militares estratégicos, perpetuando seus privilégios e arrogando para si a prática das virtudes marciais e o dever do serviço público; mantendo, assim, sua riqueza e seu status. No segundo momento, pós-revolução Francesa, a classe dirigente continuou a ser a nobreza, todavia, reformulada; processando um estado de “simbiose ativa” entre o estratos nobre e o burguês, em que a aristocracia mantinha a sua preeminência política, social e cultural, enquanto a burguesia se restringia ao papel de elemento da propulsão econômica. O autor nega a idéia de desenobrecimento ou aburguesamento inevitável, ao contrário, a fronteira entre as duas classes foi sempre bem conhecida, isso devido à postura, às relações e à concepção de mundo legitimamente aristocrática.

Por fim, a burguesia é apontada como a própria retardadora de seu desenvolvimento por almejar uma vida aristocrática, fortalecendo, desta maneira, os hábitos e convenções “arcaicas”, em detrimento de uma linguagem moderna. Ao se contrapor com os historiadores tradicionais, Mayer apenas muda o parâmetro de ruptura com o Antigo Regime. Para a historiografia ordinária, a ruptura se dá quando do surgimento de certas concepções políticas e um modelo econômico; para Mayer, quando da consolidação dos mesmos.

Sábado, Junho 11, 2005

2a. Revolução Industrial

Responda as questões abaixo e responda até QUARTA-FEIRA 15/06.

1. Diferencie a 1a. da 2a. Revolução industrial enfatizando o impacto de ambas na configuração do Sistema Internacional (G. Barraclough).

2. Defina Imperialismo, e discuta as definiçÕes de Lênin e Hobsbawn.

LIMITE: 1 paragrafo cada questão e mais um parágrafo de conclusão relacionando ambas as questões. Máximo de 15 linhas cada parágrafo.

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Humilhação francesa em Versailles

Paris, 19 de janeiro de 1871.

Realizada ontem, dia 18, a coroação do imperador Guilherme I da Alemanha no palácio de Versailles, marcou não só a formação do mais novo Estado europeu como também a maior humilhação já sofrida pela França em toda sua história.
Napoleão III, agora não mais imperador da França, em seus anos de governo, só fez diminuir o poder e o prestígio que nosso país sempre lutou para manter perante nossos vizinhos, movido apenas por sua necessidade de apoio público e por seu desejo mesquinho de ganhar territórios que em nada nos favoreceram.
O povo francês acompanhou as investidas desse tirano e agora sofre suas conseqüências. As marcas deixadas pelo exército prussiano em nossa cidade ainda permanecerão conosco durante anos e teremos de lutar bravamente para recolocar nosso país em sua merecida posição e impedir que nunca mais, nenhum país faça o que este fez com nossa honra.

Terça-feira, Junho 07, 2005

O Chanceler de Ferro e o contexto europeu

Pertencente à geração pós Congresso de Viena, o conservador Otto von Bismarck alcançou proêminencia política como árduo oponente da Revolução Liberal de 1848, que objetivava a unificação da Alemanha sob um constitucionalismo fortemente democrático. Em 1862, convidado pelo próprio rei a ocupar o cargo de 1º ministro prussiano - saída encontrada para um impasse parlamentar -Bismarck dá início ao projeto de levar a Prússia à liderança da Unificação Alemã.

Avesso ao sistema criado em Viena, por crer que ele havia submetido a Prússia ao domínio austríaco no contexto da Confederação Germânica, a Realpolitik de Bismarck - política análoga à raison d'etat de Richelieu - preconizava a unilateralidade de ação, baseada no fato de que, ao contrário de outras nações, o único interesse da política externa prussiana era a unificação alemã, e que, portanto, uma posição aparentemente isolada permitiria à Prússia manipular determinadas conjunturas de alianças entre poderes.

De forma extremamente hábil, Bismarck estende a proeminência econômica prussiana à esfera política através da realização de três grandes conflitos: primeiramente, a Guerra dos Ducados, empreendida em aliança com a Áustria contra a Dinamarca, prepara a conjuntura que permite o conflito Austro-Prussiano, pela administração das áreas obtidas da Dinamarca. Esse conflito marca o abandono do príncipio da legitimidade pela política externa prussiana (base de sua participação na Santa Aliança), a apartir do momento em que a Prússia, ao vencer a Áustria, domina os ducados de Schleswig e Holstein e anexa os Estados de Hanover e Hesse-Cassel, aliados austríacos na guerra. É criada, assim, a Confederação Germânica do Norte, totalmente submetida ao controle prussiano, e os estados germânicos do sul apenas mantêm sua independência por submeter seus exércitos às orientações das tropas bismarckianas. A tacada final de Bismarck se dá em 1870, com a guerra Franco-Prussiana, resultado de uma hábil manobra diplomática do chanceler utilizando-se do temor e da vaidade de Napoleão III. O conflito, rapidamente vencido pela Prússia, assinalou a reorganização final do mapa da Europa e o enfraquecimento definitivo da França a partir da ascensão o Império Alemão.

De 1853 a 1871, a ordem européia é reorganizada e, no fim deste período, a Alemanha emerge como o mais forte poder do continente. Otto von Bismarck termina o que Napoleão III começou ao destruir o sistema de Viena e unifica a Alemanha com base no poder prussiano e não num princípio de auto-determinação nacional. Ele é o primeiro líder a introduzir o sufrágio universal masculino na Europa ao lado de um notável sistema de promoção do bem-estar social. Além disso, a partir da Realpolitik de Bismarck, política externa transforma-se numa questão de disputa de forças - cada vez mais constantes dentro do novo sistema internacional, onde a noção de equilíbrio já não tem espaço pois seus componentes estão enfraquecidos e diminuídos diante do poderio alemão. A única falha do Chanceler de Ferro foi não estabelecer um modelo institucionalizado de suas políticas para que as gerações posteriores pudessem manter a Alemanha nos moldes bismarckianos. Seu legado foi uma liderança histórica singular que a sociedade alemã não foi capaz de reproduzir.

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Marx e o Sistema Internacional

Luis Fernandes, em seu artigo "O manifesto Comunista e o elo perdido no Sistema Internacional" da revista Contexto Internacional de 1998, analisa o Manifesto Comunista de Marx depois de 150 anos de sua primeira edição, buscando uma perspectiva Marxista para o sistema internacional. Em sua análise, Luis Fernandes encontra duas faces distintas: uma transnacional e outra internacional. Marx foca no Estado ao discorrer sobre o processo de centralização da propriedade, da produção, da riqueza e da população que teria tido origem, entre outros fatores, na insegurança da aristocracia diante da ascensão da classe burguesa. A intensificação do comércio teria estimulado a centralização dos Estados e essa centralização, gerado um aumento nos fluxos globais de comércio e riqueza. Segundo Luis Fernandes, Marx chega a ser exagerado ao tratar desse aspecto global do capitalismo ao citar a universalização total das indústrias.

Já em 1848, Marx falava na expansão territorial fulminante do capitalismo, e hoje é evidente o caráter expansionista desse sistema. Em sua teoria, encontramos uma expectativa que se tornou uma realidade algum tempo depois. No sistema internacional, os efeitos do liberalismo foi no primeiro momento, a subordinação dos Estados à lógica capitalista - formando com isso, um globo integrado - e logo a marginalização daqueles cuja integração tardia os impediria de competirem por mercados com as potências industriais capitalistas.

Ilusão de convergência talvez fizesse sentido em 1998, mas atualmente, a convergência mundial para os modos de produção capitalista é fato. Marx dizia que a Inglaterra, potência industrial capitalista, criaria o mundo à sua imagem e semelhança. O mundo pode não ter se transformado com essa força como espelho da Inglaterra, mas sob a hegemonia americana, temos um sistema global completamente capitalista, onde diretamente ou indiretamente são impostas aos Estados, diretrizes de comportamento para que estejam incluídos no cenário mundial. Países que tentam cuidar de questões internas e externas baseados em modelos econômicos que não sejam o liberalismo ou políticos que não sejam a democracia, são automaticamente excluídos ou tentados (até mesmo pela força) a se integrarem.

É interessante analisar influências do Manifesto Comunista para o sistema internacional e observar que nós temos hoje, o mundo capitalista exatamente tal qual combatido por Marx em seu livro. Um mundo globalizado com distribuição desigual de poder político, militar, diplomático e econômico. Uma vez que esse sistema instalou-se como solução do esgotamento das forças produtivas anteriores, tende a permanecer até que suas forças também se esgotem. Mas mesmo que isso aconteça, esferas políticas e econômicas, como observa Luis Fernandes, e também esferas culturais e sociais já foram rompidas. O caráter estadocêntrico ou transnacional do Manifesto é ressaltado por Luis Fernandes e explícito na obra de Marx, visto que no momento de sua publicação o mundo vivia em meio a extremo sentimento Nacionalista, mas também encontramos destaque para o caráter global se enxergarmos que o capitalismo, como já dizia Marx, rompe fronteiras e faz até o mais poderoso Estado dependente de sua lógica.